marți, decembrie 21, 2004

Marianne Faithfull - Before the Poison (OH OH OH #03)



Sendo um desconhecedor da carreira de Marianne Faithfull, o meu contacto com a artista surge com Before the Poison um álbum editado em 2004 e que tem como particularidade o facto de ser na sua maioria composto por dois artistas por quem tenho uma enorme admiração. PJ Harvey e Nick Cave, dão o corpo ao manifesto e contribuem com um mão cheia de belíssimos temas que tomam uma maior dimensão pela voz roca e melancólica de Marianne Faithfull. É assim o reencontro de um dos casais mais carismáticos da história rock, ainda que não colaborem juntos em nenhum tema a sua mecânica de composição encaixa que nem uma luva transparecendo assim uma obra muito homogénea e coerente.
Em temas como Mistery of Love, Crazy Love, No Child of Mine ou Desperanto são esplanadas histórias intensas em que o amor é uma tónica dominante e que certamente não deixarão os vossos ouvidos indiferentes. Recomenda-se vivamente uma audição cuidada.

vineri, decembrie 17, 2004

Xiu Xiu, Fabulous Muscles (OH OH OH #02)



Fabulous Muscles surge em 2004 sucedendo a A Promise, incumbindo-lhe a difícil tarefa de suceder a um disco denso e sublime, os Xiu Xiu não fizeram a coisa pela metade e apresentam-nos um disco igualmente fantástico. Preenchido com faixas como I Luv the Valley, OH!, Bunny Gamer, Crank Heart, o perturbante Fabulous Muscles ou o contagiante Clowne Towne, neste novo disco a banda parece apostada em construir um álbum de canções que mesclam o experimentalismo electrónico com uma ambiência “pop” que surge aqui de uma forma mais assumida do que o haviam feito com o seu antecessor. Nas suas canções, mais uma vez Jamie Stewart exorciza os seus medos e as suas alegrias, interpretando-as com uma intensidade e uma magia ímpares. Parece-me que as coisas estarão mais tranquilas para aqueles lados apesar de continuar a transparecer toda a complexidade a que o ser humano, e este ser em particular, se confronta nas suas lutas diárias. É nisso mesmo que os Xiu Xiu são bons, a criar um imaginário perturbante e intenso, quase pornograficamente intenso; a emotividade é tocante e séria sem ser piegas ou sensacionalista. São pedaços de histórias transportados para uma forma de arte muito sincera e corajosa pela forma displicente como estes músicos se entregam às suas emoções e as transformam em notas musicais.
Um disco intenso como só os Xiu Xiu o poderiam fazer com uma nova predilecção por ambientes mais leves e que apesar de parecer algo esquecido pela crítica em geral é para mim um dos grandes discos deste início de década, confio que fará história.

luni, decembrie 06, 2004

The Arcade Fire - Funeral (OH OH OH #01)


Funeral é o álbum de estreia dos Arcade Fire, banda encabeçada por Win Butler e Régine Chassagne, marido e mulher, que tomam como ponto de partida uma fase negra da sua vida com a morte de familiares seus para iniciar o processo criativo e a construção deste disco. Como se pode adivinhar, este é um factor marcante em toda a ambiência do disco surgindo à luz do dia um conjunto de canções emocionalmente muito fortes e ao mesmo tempo imensamente contagiantes. O álbum abre com dois temas belíssimos e que deixam o mote para todo o disco, Neighborhood #1 (Tunnels) e Neighborhood #2 (Laika) vivem da força da voz de Win Butler e das orquestrações quase épicas que assentam ao mesmo tempo em melodias tão delicadas e frágeis. Sentimos a urgência de cada palavra, a melancolia invade-nos os espírito e confortavelmente enroscamo-nos na dor, não uma dor inerte mas uma dor que se quer esperançosa. Voltamos a erguer os nossos ouvidos atentamente em temas como Crown of Love, Wake up ou In The Back Seat tema que fecha o disco com chave de ouro.
Comparações com bandas como Roxy Music, Joy Division, David Bowie ou A Silver Mount Zion não serão inocentes, no entanto desenganem-se os que quiserem perder tempo a estabelecer paralelismos óbvios, os Arcade Fire têm a particularidade de ocuparem um lugar próprio.
Por tudo isto e por muito mais vale bem a pena descobrir este disco e quem sabe deixá-lo no sapatinho de alguém.

OH OH OH!

É natal é natal! Por esta altura de chegada ao fim do ano surgem as famosas listas a resumir os discos obrigatórios, talvez como forma de injectar algum dinheiro na indústria já que o tempo é de transacções ou talvez como forma de fazer um apanhado daquilo que deve ficar para a história quando se falar do ano que passou. Como este espaço cibernético é da minha responsabilidade e pertença vou aproveitar para, inundado de espírito natalício fazer as minhas exigências referindo alguns dos discos que foram lançados este ano que ainda não foram comentados neste blog e que terão de estar no meu sapatinho. .

Amiguinhos tomem notas...

sâmbătă, decembrie 04, 2004

Mão Morta Santiago Alquimista Fotos

podem ver alguma fotos do concerto em: http://galerias.escritacomluz.com/pfig/maomorta

Mão Morta Santiago Alquimista



Apesar de ser um grande fã da música dos Mão Morta nunca tinha tido a oportunidade de ver a banda ao vivo, excepto num show case por alturas do lançamento do álbum Primavera de Destroços mas nunca é a mesma coisa. Sendo assim mal soube que a banda estaria em Lisboa no Santiago Alquimista, prometi a mim mesmo não perder.
O regresso da banda bracarense às salas lisboetas deu-se na noite de 2 de Dezembro, numa noite fria e chuvosa, com uma nova tournée ao estilo da “Carícias e Malícias Tour” e num registo “best of”, passando em retrospectiva a sua carreira celebrando 20 anos de existência. Dificilmente encontraremos uma outra banda cá dentro ou mesmo lá fora, que consiga atingir esta marca de uma forma tão coerente e atractiva. Apesar das suas barrigas, dos seus cabelos já caindo, das páginas e páginas de histórias (algumas delas imortalizadas no livro “Narradores da Decadência” editado este ano) a banda continua a demonstrar uma grande capacidade de rejuvenescimento tal como é prova o álbum Nus, também recentemente editado. Talvez a forma como a banda passeou pelo seu espólio não tenha sido a mais surpreendente mas mostrou bem quem são os Mão Morta e porque o são.
Já passava uma boa meia hora da marcada para o inicio do espectáculo quando finalmente as luzes se apagam e numa tela colocada acima do palco é projectado o novo vídeo clip da banda, um excerto da peça Gumes, uma magnifica obra de audiovisual, bela e impar como só os Mão Morta poderiam inspirar. De seguida a banda “sobe” a palco e inicia o seu concerto com o arrepiante “Facas em Sangue” seguindo-se “Velocidade Escaldante” e “Tu Disseste”, depois um novo tema “Querida”. Adolfo entre cada canção apresenta-se muito comunicativo incendiando aos poucos a plateia que aplaude cada vez mais fervorosa. A partir daqui segue-se uma sequência absolutamente louca e demente, temas como “E se depois”, “Oube Lá”, “Em Directo Para a Tv” ou “Barcelona” são disparados como balas atingindo os ouvidos das pessoas presentes. “Anarquista Duval” apresenta-se como expoente máximo da energia que emana do palco, em cima dele Adolfo fita-nos com o seu olhar único e perturbante, rebola-se pelo chão, interage com os seus companheiros de banda e sempre incendiário vai mandando bocas entre os temas. Termina o primeiro set de canções com Cão da Morte. A banda regressa poucos minutos depois admitindo a farsa. O encore, claro está, estava programado e fazia parte do alinhamento. A provocação continua, com temas tão intemporais e incrivelmente tão actuais, “Charles Manson” e “Bófia” são ainda retratos de uma sociedade tão particular e tão comum como a nossa. De volta para o segundo encore e após a sublime interpretação de “Aum” e “Véus Caídos”, Adolfo cumpre com o prometido e dá agora asas à “democracia” pedindo que se elegesse por unanimidade o tema seguinte, claro que a confusão é mais que muita ouvem-se gritos de todas as direcções… “A Democracia não resulta porque facilmente se torna cacofonia”, diz-nos Adolfo, e assim “democraticamente” é ele quem elege “Lisboa” como próximo tema, acabando assim o passeio em casa. Fica a sensação de que apesar de já estarem longe os tempos mais controversos em que a banda espalhava o caos por esse país de uma forma impar, os Mão Morta continuam em grande forma e a sua existência continua a fazer todo o sentido.

Alinhamento
Facas em Sangue
Velocidade Escaldante
Tu Disseste
Querida
E se Depois
Oube Lá
Budapeste
Em Directo para a TV
Gnoma
Vertigem
Barcelona
Vamos Fugir
Anarquista Duval
Cão da Morte

1º encore
Carcere
Charles Manson
Bófia

2º encore
Aum
Véus Caídos
Lisboa