sâmbătă, octombrie 23, 2004

“A revolução é o remédio para os que sofrem de tédio”

A vontade é uma força de uma capacidade incrível. Felizmente as pessoas continuam a não ficar apáticas e a não se subjugarem às crises que aparentemente congelam vontades neste país. As crises deixamo-las para quem delas deve tratar a nossa vontade é de fazer música e assim vamos avançado passo a passo cada um de nós e a sua vontade.
Na passada noite 22 ocorreu no Barreiro na SIRB Penicheiros mais uma prova de que a vontade move montanhas e reuniram-se 4 bandas portuguesas e capazes. Talvez não tenham movido ainda massas de gente mas moveram as que se sentiram motivadas a ver o que se vai fazendo por terras lusas a nível de arte musical. A primeira banda a subir a palco foram os HomemCãoVelhoMau que, não sendo a banda mais original deste mundo, conseguem construir através de alicerces muito coesos uma identidade musical na qual encaixam perfeitamente. A primeira comparação obvia será a de uns Mão Morta num registo mais metal depressivo e urbano, talvez numa associação menos directa aos Swans. Mostrando que têm capacidade e que apesar de ainda não serem praticantes de uma sonoridade absolutamente nova, esta banda oriunda do Barreiro desfilou as suas músicas num misto de displicência e caos sonoro. Seguidamente subiram a palco os Frango, um nome absolutamente peculiar, uma sonoridade que talvez não seja assim tão peculiar. Vão buscar referências a bandas como Do Make Say Think, Explosions in The Sky ou mesmo Godspeed You Black Emperor; banda sonora em modo cinematográfico que poderá num futuro próximo também ela ocupar um lugar de destaque. Talvez ainda algo agarrados às suas referências mas o que fazem, fazem-no bem. De seguida uma das bandas pelas quais apresentava maior expectativa, os Lemur. Conheço esta banda já há algum tempo, tendo tomado contacto com as suas demos já divulgadas, e desde o principio que senti que são uma banda cheia de potencial. Agarrando também eles numa sonoridade dita post-rock, conseguem transpor a sua música para um lugar próprio. Soam a Lemur. Equipados de guitarras, baixo, bateria (sublime), violoncelo umas vezes e “pianola” nas outras, foram incrivelmente prejudicados por problemas técnicos não se deixando no entanto abalar e mostrando que ao vivo ainda são mais peculiares que até agora em disco foram, apresentando aquele que até ao momento teria sido o concerto da noite. Teria sido, não fossem uns Brainwashed By Amália absolutamente inspirados e demoníacos. Soltaram-se das amarras e construíram um concerto que, apesar de escasso em músicas no seu alinhamento (apenas 3), foi o melhor concerto que alguma vez vi por parte desta banda que já acompanho há algum tempo. Em tempos disse que o grande forte desta banda era a sua capacidade de fazer barulho sónico e despretensioso, este concerto levou essa ideia a um extremo que eu não pensei possível. Quem conhece esta banda saberá que facilmente se associam a uma sonoridade mais punk, mais “psicadelismo nos anos 70”, mais Mudhoney, mais Motorhead, na noite passada deixaram todos os chavões e foram eles prórpios. São uma banda dos diabos quando conseguem soltar-se de acordes e se prendem a uma novo conceito de música ruidosa, facto que ficou bem patente e que foi de tal forma demarcante que minutos após o inicio da sua prestação foram forçados (por motivos “legais” [!?] aproximava-se a galope a uma da manhã) a terminar mais cedo a actuação. Na minha opinião em nada os prejudicou.
Para a história fica mais uma noite gloriosa, na margem sul do rio, e esperamos que muitas mais se possam suceder.

joi, octombrie 14, 2004

Dead Combo no Frágil

É o meu regresso às noites de Frágil. Ontem dia 13 de Outubro os Dead Combo subiram ao palco minúsculo do conhecido bar do bairro alto. Tó Trips e a sua magnificente cartola e Pedro Gonçalves subiram ao palco do Frágil acompanhados dos seus instrumentos e da sua versão vadia de fado jazzistico, a sua visão muito contemporânea e própria do sentido de música portuguesa que tanto vai buscar influências às margens do Tejo como às margens do Mississipi ou do Sena. De cartola em riste e guitarra acutilante, Tó Trips dispara em todas as direcções como se de um pistoleiro mexicano infiltrado na máfia italiana se tratasse. Um a um vão desfilando temas que nos aconchegam a alma nesta noite fria. Eléctrica Cadente, Mojitos Summer, Tejo Walking ou Paredes Ambience podem não suscitar a mesma reacção em todos os presentes na sala mas deixam muitos enfeitiçados, de olhos vidrados no palco e ouvidos à escuta absorvendo cada nota do violoncelo cada acorde da guitarra. A banda tem sentido uma certa dificuldade em impor-se perante o publico que incauto acorre a este tipo de acontecimentos, mas a pouco e pouco vão convertendo cada vez mais fans à sua arte musical. Em palco sinto que ainda são capazes de mais, talvez com a companhia de mais alguns músicos ou numa sala mais apropriada a este ambiente acústico consigam transpor melhor os seus temas, no entanto todos os temas são transportados com alma e garra e estes dois personagens misteriosos emanam charme do palco.


Rumbero
Tejo Walking
Rua das Chagas
Janela
Eléctrica Cadente
A Menina Dança?
Ai que Vida!
Pacheco
Rodada
Paredes Ambience
Zig’s Zag’s
Vadiagem
Ana
Mojitos Summer
Cacto