sâmbătă, septembrie 25, 2004

Mais uma petição!

bem, na esperança que isto possa resultar em algo, aqui fica o link para uma petição que está a ser feita a nível europeu a fim de baixar o IVA aplicado nos Discos de música.
assinem aqui

duminică, septembrie 19, 2004

Panda Bear - ZDB 18/09/2004



Panda Bear recolhe então a sua guitarra, desliga-a e despede-se com um “obrigado”. O publico não percebe que havia chegado o final do concerto, após meia hora de ruídos hipnóticos sentimo-nos embarcados por um transe intenso. Bear ao reparar que ninguém esboça uma reacção diz com um sorriso puro no rosto e no seu português ainda em aprendizagem: “então? Ficaram todos a anhar….!!?!... I’ve got no more…” do público alguém pede mais uma música, uma jam, qualquer coisa, não nos deixes é voltar já para a realidade…
Assim terminou a actuação incrível de Panda Bear na Galeria Zé Dos Bois em Lisboa, conhecido como membro dos Animal Collective, trazendo na bagagem Young Prayer, um disco que segundo ele, serviu como exorcismo para a difícil perda de seu pai que havia morrido este ano. Ao vivo, Panda Bear mune-se da sua voz de samples e de manipulações em tempo real para recriar a ambiência fantasmagórica e quase xamânica presente no disco, deixando para o fim a companhia da sua guitarra com todo o aspecto de quem, como o músico, já viveu muito para contar. Não é tarefa fácil descrever aquilo que se passou ontem à noite. O paralelo que consigo encontrar com a sensação de ouvir a música deste compositor contemporâneo, talvez um dos mais geniais compositores do novo milénio, é a de que estamos num ritual xamanico, num encontro com a música no seu estado mais puro e avassalador. Música que nos leva até aos confins do nosso subconsciente dando azo a que um sem numero de pensamentos e imagens nos ocorram no cérebro à medida que vamos desvendando cada som aqui mesclado. A experiência é intensa, e apenas quem já o ano passado teve a possibilidade de ver os Animal Collective no festival Numero poderá ter antecipado o que iria acontecer. A grande duvida seria se a solo Panda Bear conseguiria ter o mesmo poder avassalador e a realidade é que embora a experiência tenha sido mais intimista e de certo modo menos intensa torna-se brutalmente absorvente. Daí que no fim quando a música acaba seja realmente difícil erguermo-nos das cadeiras e seguir o caminho até ao exterior. Esteticamente existe uma proximidade com os trabalhos que Panda Bear desenvolveu na era proto Animal Collective com o seu companheiro Avey Tare. Músicas abstractas e soltas, sem estruturas realmente definidas e que têm como principal característica a criação de ambiências complexas e belas. Tive a oportunidade de dizer quando Here Comes the Indian me chegou aos ouvidos que a sua música era da mais surpreendente que alguma vez tinha ouvido, ideia que se mantém absolutamente sólida após esta actuação. Fica Young Prayer lançado este ano como testemunho da imensidade desta música e um concelho a todos os que faltaram a este acontecimento: não percam futuras apresentações porque ficarão com certeza marcadas na vossa retina.

duminică, septembrie 12, 2004

Interpol - Antics



Os Interpol regressam em 2004 com um novo registo intitulado Antics. Bem, “novo”, não será bem o termo mais apropriado para este disco, de facto Antics parece-se mais com um segundo disco de Turn on the bright lights, o álbum de estreia da banda nova iorquina. Confesso que a minha expectativa relativamente a este segundo disco era alguma. O trabalho apresentado no disco anterior estava muito bem conseguido, revisitando as ambiências post punk de uns Joy Division, The Jam ou Echo & the Bunnyman, com um toque adocicado de melodias algo radio friendly mostrando essencialmente que os Interpol sabem fazer boas canções pop, canções contagiantes. Talvez o curto espaço de tempo entre o disco anterior e este justifiquem a proximidade estética entre os dois o que por um lado é uma pena e por outro é compreensível. Sobra assim mais um disco bastante seguro, construído sobre canções que não irão surpreender ninguém mas que ao mesmo tempo têm a capacidade de serem contagiantes, canções como Narc, Slow Hands ou Lenght Love mostram-nos uns Interpol algo mais leves, um disco que os admiradores de Turn On The Bright Lights poderão adorar mas onde não irão encontrar novidades significativas.