sâmbătă, iulie 24, 2004

PJ Harvey em Vilar de Mouros



Após o lançamento de Uh Huh Her, miss PJ Harvey regressou ao nosso país no passado dia 18 para um concerto no festival Vilar de Mouros. É conhecida a fama desta senhora do rock em dar grandes concertos e mais uma vez foi isso que ficou patente na longínqua vila. Durante estes anos todos desde que Dry viu a luz do dia, temos assistido a uma metamorfose artística de PJ Harvey e chegados que estamos a 2004 com com mais de 10 anos de música pelas costas PJ Harvey apresenta-se aos nossos olhos agora como um animal de palco. Vestida de vermelho dos pés à cabeça, a cantora dá uma nova interpretação a clássicos como Meet Ze Monsta, Dress, A Perfect Day Elise, acompanhada por uma excelente banda, que continua a contar com o seu velho amigo Rob Ellis. A interpretação corporal que no passado havia sido algo descorada por PJ aparece agora com um papel bem mais importante e deixa-nos a todos deliciados. Sempre com uma grande dose de bom gosto e um grande sentido de espectáculo vamos vendo o desfile de canções desde os álbuns ancestrais até Uh Huh Her, todos “empacotados” num conceito de concerto muito raw, um soco no estômago característica de que PJ sempre fez bandeira. Para recordar ficarão umas versões fantásticas de Taut, Who the Fuck interpretada com uma brutalidade que ultrapassa em larga escala a do álbum, Dancer a solo, Big Exit ou You Come Through, música sobre a qual tinha imensa curiosidade em ouvir ao vivo e que não me desiludiu. De fora ficaram tantos outros temas merecedores de comparecer em qualquer concerto de qualidade mas quem tem um reportório como o de PJ pode dar-se ao luxo de deixar pequenas pérolas de fora sem deixar o publico desiludido. Mais uma vez tal como tinha sucedido em Paredes de Coura o ano passado o “encore” ficou de fora, coisa que a mim não me perturba minimamente, até acho giro que para variar os artistas se descolem dos “encores” previsíveis mas para todos aquele que queriam mais parece que há por aí um rumor de que poderemos ter a honra de receber a sua visita de novo lá para Outubro.



PS. se existir alguém que tenha fotos ou gravações do concerto por favor enviem um e-mail para a merzbau (merzbau@sapo.pt)

miercuri, iulie 14, 2004

Canhamo


comprei-a hoje e passo a publicidade...

"O facto de que nos possamos opor à utilização de cânhamo sem nos opormos ao mesmo tempo à utilização do álcool escapa à minha compreensão" (William Burroughs, 1969)

marți, iulie 13, 2004

Tranformando...





Estamos em 2004, já sabemos que os tempos são de crise na música nacional, que a relação entre o publico geral e as bandas nacionais embora apresente sinais de melhora continua a não ser a melhor, sendo no entanto alguns projectos de qualidade duvidosa aqueles que conseguem passar essa barreira recorrendo bem ou mal à utilização das suas músicas em spots publicitários, telenovelas e afins. Das dificuldades de produção dos anos 80 atravessámos todos um caminho longo e duro durante os anos 90 e chegados ao novo milénio é a massificação da tecnologia que toma conta das rédeas e é ver projectos de todos os aspectos e feitios a surgirem em cada esquina, muita quantidade talvez nem tanta qualidade. No entanto podemos estar gratos aos poucos que estão dispostos a transformar este país, e a cultivar o bom gosto entre os demais. Projectado à imagem de um dos incontornáveis músicos que escancaram portas e janelas com as suas ideias e mais em concreto com a sua banda Rádio Macau, a editora Transformadores é um murro na mesa de Alex (baixista da mítica banda liderada por Xana), mostrando que é possível apostar em projectos de qualidade ainda que os resultados financeiros imediatos possam não ser os melhores. Assim em 3 meses de existência oficial, desde a festa de apresentação da editora no Lux foram lançados 3 registos dignos de comparecerem em qualquer colecção de discos que se preze. Falo de Exilo de Quinteto Tati, Roulete dos Flux e mais recentemente Vol. 1 dos Dead Combo.

O primeiro projecto a ser editado com o selo dos Transformadores, sem ser das propostas mais inovadoras - recorrendo a estéticas como o Jazz, a Bossa Nova, a Valsa - marca pontos pelo seu conteúdo não tanto pela forma. O projecto encabeçado pelo já nosso conhecido JP Simões relata histórias de uma cidade urbana e nostálgica, tipicamente europeia, no caso falamos de Lisboa mas certamente que poderíamos falar de qualquer outra cidade. Vivendo entre a nostalgia de tempos não vividos e as ruelas tortas que se entrecruzam pelas 7 colinas desta cidade, falamos de histórias de amor, de desgosto, de boémia.. de uma vida vivida e muito sincera e que só por isso vale bem a pena conhecer.

Flux surgem em pleno êxtase rock vanguardista, salpicado pelas ínfimas possibilidades que a electrónica deste mundo computorizado nos foi trazendo ao longo destes últimos anos e vive disso mesmo, de êxtase. Quem puder ver a banda ao vivo compreenderá facilmente aquilo de que falo, em disco surgem mais polidos e atractivos talvez, com uma sensibilidade pop que atrairá qualquer incauto e facilmente aguçará o apetite aos mais exigentes. Sendo com a mesma intensidade um disco experimental e convencional, Roulette dos Flux não deixará muita gente indiferente tal a capacidade que cada música tem para nos fazer bater o pé ou balançar o corpo. Entre músicas mais intensas existe também um período mais obscuro que o ouvinte atravessa ao escutar o disco que na minha opinião apenas realça a capacidade da banda de fazer músicas bastante diferentes entre si mas ao mesmo tempo com um ponto de união muito característico. Quer se goste quer não, não se poderá negar, é Flux.

Por fim, lançado o mês passado (Junho) surge Vol. 1 dos Dead Combo, igualmente transpirando a Lisboa mas sem o entrave (!?) da língua, o projecto que junta Tó Trips a Pedro Gonçalves será sem sombra de duvidas o mais audaz dos três até agora apresentados. Vivendo entre a nostalgia do fado e o vanguardismo do pós-rock, este disco instrumental é uma óptima companhia para as tardes chuvosas de Outono tendo como cenário a nossa querida cidade alfacinha. Um disco sublime na sua capacidade de construir músicas com um sabor muito próprio e que dificilmente poderemos comparar a pares vindos do mercado estrangeiro.
Estes 3 discos demonstram assim uma grande inteligência na sua escolha já que finalmente alguém compreendeu que o grande objectivo não será encontrar os irmãos gémeos de bandas estrangeiras de sucesso mas sim bandas com uma personalidade e lugar próprios, e acreditem o melhor ainda está por vir….

(ah uma boa notícia, já podem encontrar qualquer um destes discos, inicialmente lançados com o DN, nas Fnacs deste país)

miercuri, iulie 07, 2004

Sonic Nurse


Longe vão os tempos em que álbuns como EVOL, Bad Moon Rising, Confusion is Sex, Sister ou Daydream Nation, espalharam o caos sónico e abriram novos horizontes para o rock de vanguarda, de facto serão muito poucas as bandas que se podem orgulhar de ter um currículo similar ao dos Sonic Youth. Sempre fieis à sua estética, não deixando de constantemente quebrar as barreiras por si criadas esta banda chega às 2 décadas de existência com Sonic Nurse, sucessor de Murray Street, demonstrando uma vitalidade invejável. É certo que serão muito poucos os que ficarão surpreendidos com as canções aqui apresentadas mas seria muito injusto dizer que o álbum não é merecedor de várias audições. Preenchido com canções muito fortes como Paper Cut Exit, Dripping Dream, Stones ou Pattern Recognition, este é um álbum que deixa saudades sem ser saudosista, que marca sem ser irreverente, que pode saber a muito mas ao mesmo tempo saber a muito pouco a todos aqueles que conhecerem bem a obra de uma das bandas que mudou o rock para sempre. Essencial? Talvez não, mas é sempre agradável encontrar uns Sonic Youth a envelhecer assim.